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Lamy
afirma que processo de negociações horizontais deve
começar em breve
O Diretor Geral da Organização Mundial do Comércio
(OMC), Pascal Lamy, afirmou que há progresso nas negociações
comerciais da Rodada Doha e que os governos estão "bem
mais próximos da chegada". Ainda não está
claro, entretanto, se os ministros dos países Membros da
OMC conseguirão concluir um acordo sobre o comércio
global até a segunda metade de maio.
Há planos para reunir os ministros na sede da OMC em Genebra,
Suíça, durante a semana de 19 de maio. Diplomatas
comerciais sugerem, entretanto, que essa data pode não ser
ideal, pois para dar aos ministros uma chance concreta de acordo
sobre cortes tarifários e subsídios, muitas pendências
ainda precisam ser resolvidas e grande parte das negociações
agrícolas progride lentamente.
Um delegado comercial afirmou que, apesar de não ser fácil,
uma reunião nessa semana ainda é possível.
Para que isso ocorra, os presidentes das negociações
de agricultura e acesso a mercado para produtos não agrícolas
(NAMA, sigla em inglês) teriam de obter uma resposta relativamente
favorável por parte dos Membros sem maiores oposições
- questão ainda mais problemática. Neste sentido,
os meses de junho e julho parecem ser mais apropriados para a reunião
ministerial.
Pascal Lamy afirmou, durante reunião do Comitê de Negociações
Comerciais (TNC, sigla em inglês) da OMC, ocorrido em 17 de
abril, que "a hora está chegando" para que os delegados
iniciem o que chamam de "processo horizontal" - negociações
que envolvem trocas de interesses entre agricultura e NAMA.
Apesar das comparações entre setores de negociação
existirem há muito tempo, elas têm ocorrido na forma
de reclamações sobre o nível de liberalização
agrícola versus o nível de cortes tarifários
para bens manufaturados, ou vice e versa. As discussões horizontais,
similares aos estágios finais de negociação
no passado, buscam criar consenso entre os dois temas.
Pascal Lamy não mencionou nenhuma data específica
para a reunião ministerial. Ele sugeriu, entretanto, que
os oficiais comerciais seniores poderiam começar a discutir
serviços a partir da semana de 5 de maio. Durante a reunião
da Conferência das Nações Unidas para Comércio
e Desenvolvimento (UNCTAD, sigla em inglês), ocorrida em Gana,
Lamy afirmou que uma reunião ministerial poderia acontecer
no final do mês de maio.
Durante a reunião do TNC, Pascal Lamy tentou diminuir as
preocupações de alguns Membros - como Bolívia
e Cuba -, que se consideram deixados de fora do processo de negociação.
Eles argumentam que as verdadeiras barganhas ocorrem nas reuniões
de "sala verde", acessíveis somente a convidados.
Lamy afirmou que "as modalidades só podem ser estabelecidas
por todos os Membros", ao referir-se aos números das
fórmulas e às exceções que determinarão
os futuros subsídios e níveis tarifários dos
países. Lamy também afirmou que transparência
e inclusão são fundamentais para o processo de negociação.
Apesar de reconhecer que consultas informais entre grupos menores
"são essências para a diminuição
das diferenças", Lamy ressaltou que essas devem alimentar
continuamente a arena multilateral. O Diretor Geral da OMC também
enfatizou que os países convidados a participar das reuniões
de "sala verde" representam os diferentes tipos de interesses
e visões dos Membros.
Além da necessidade de reconciliar esses grupos menores com
os 151 Membros da OMC, ainda há mais um desafio a ser enfrentado
no processo de acordo sobre modalidades para agricultura e NAMA:
como garantir aos Membros menores que também há progresso
em suas demais prioridades.
No processo, países desenvolvidos (PDs) e países em
desenvolvimento (PEDs) que receberam ou apoiaram pedidos plurilaterais
para acesso a mercado deveriam assinalar o tipo de compromissos
de liberalização que estariam preparados a aceitar.
Pascal Lamy, por sua vez, levaria tais compromissos aos demais Membros
durante o TNC. O Diretor Geral da OMC afirmou que essas indicações
poderiam sinalizar positivamente para um progresso nas negociações
sobre serviços. Lamy alertou os países para que não
transformem o processo de sinalização em um exercício
de acusações, já que muitos governos acusam-se
de querer mais acesso do que oferecem.
No que diz respeito às negociações de regras,
Pascal Lamy afirmou que existe um amplo consenso de que o tema não
é assunto para as negociações ministeriais:
a hora é de modalidades agrícolas e NAMA.
Lamy afirmou, ainda, que diversos países desejam que o presidente
das negociações de regras, o Embaixador Guillermo
Valles Games, do Uruguai, produza um documento - algo mais do que
um relatório sobre as diferentes posições,
mas não necessariamente um texto completo - que devolva a
segurança aos atores domésticos.
Existe, entre os Membros, uma divisão fundamental em relação
à extensão de proteções adicionais de
propriedade intelectual a alimentos relacionados a regiões
geográficas como, por exemplo, o queijo Roquefort. Outro
tema controverso é se os requerentes de patentes deveriam
ser obrigados, sob pena de perder o registro, a revelar qualquer
recurso biológico ou conhecimento tradicional utilizado em
suas invenções. Esse é o motivo de discórdia
entre países como Argentina e Estados Unidos da América
de um lado e União Européia e Suíça
de outro.
Diversos Membros ressaltaram que os textos finais para as modalidades
de agricultura e NAMA deveriam ser publicados antes do início
do processo de negociação horizontal. A Índia
afirmou que o texto deveria refletir as preocupações
de todos os Membros e completou que há muitos temas não
resolvidos nas negociações agrícolas - como
flexibilidades para que PEDs protejam alguns produtos da liberalização
- para que o processo horizontal possa começar.
Fontes sugerem que se a reunião ministerial não ocorrer
antes do final de maio, é muito provável que ela também
não ocorra até o final do mês de junho ou mesmo
julho, por motivos não relacionados à Rodada Doha:
i) Ministros de Comércio dos países da Cooperação
Econômica Ásia-Pacífico devem reunir-se durante
dois dias no Peru a partir de 31 de maio; ii) Ministros de PDs e
dos maiores PEDs participarão do Fórum Anual da Organização
para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico
(OCDE) em Paris, de 4 a 5 de junho; e iii) o campeonato europeu
de futebol, que ocorre em junho na Suíça e na Áustria,
tornará difícil a reserva de quartos de hotel e esquemas
de segurança em Genebra para uma reunião ministerial.
Tradução e adaptação de artigo originalmente
publicado em BRIDGES Weekly Trade News Digest Vol. 12, No.
14, 23 abr. 2008.
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